|
Alterações
corporais durante a gravidez As adaptações maternas são atribuídas
às hormonas da gravidez e às pressões mecânicas provocadas pelo aumento do
útero e de outros tecidos. Estas adaptações protegem o funcionamento
fisiológico normal da mulher, respondem às necessidades metabólicas que a
gravidez impõe ao corpo da mulher, e satisfazem as necessidades de
crescimento e desenvolvimento do feto. Dá-se o crescimento acentuado do útero
em resposta aos estímulos produzidos pelos níveis elevados de estrogéneos e
progesterona, no primeiro trimestre da gravidez, e em resposta à pressão
mecânica exercida pelo feto em crescimento posteriormente. O útero sofre
mudanças em tamanho, forma e posição. As paredes musculares fortalecem e
tornam-se mais elásticas. Na altura da concepção, o útero tem a forma
semelhante a uma pêra invertida. Durante o segundo trimestre é esférico ou
globoso. Mais tarde, à medida que o comprimento do feto aumenta, o útero
torna-se mais largo e ovóide e ultrapassa os limites da pélvis para a
cavidade abdominal. Ocorre aumento do abdómen que pode ser
mais ou menos evidente conforme o tonus muscular abdominal e a postura da
grávida. Outra alteração durante a gravidez é
nas mamas. Cerca das 6 semanas de gestação, as mamas ficam túrgidas, muito
sensíveis, mais dolorosas e mais pesadas. A sensibilidade das mamas varia
desde ténue ate à dor aguda. Os mamilos e a auréola tornam-se mais
pigmentados, dando-se o aparecimento de uma 2ª auréola de cor rosada e os
mamilos tornam-se mais erécteis. O crescimento das glândulas mamárias provoca
um aumento progressivo do volume e tamanho das mamas. Ao nível do sistema tegumentar as
alterações corporais de carácter geral englobam aumento da espessura de
gordura subcutânea, hiperpigmentação, crescimento das unhas e cabelo,
aceleração da actividade das glândulas sebáceas e sudoriperas e aumento da
circulação e da actividade vasomotora. Verifica-se uma maior fragilidade dos
tecidos da pele, o que origina o aparecimento de estrias gravidicas ou marcas
de estiramento. Estas alterações que gradualmente se
vão dando no corpo, acrescidas do aumento de peso que se verifica,
condicionam na grávida, alterações marcadas na postura e no andar. A grande
distensão abdominal que a empurra para a frente, a diminuição do tónus muscular
abdominal e o aumento de peso que se verificam exigem um realinhamento das
curvaturas da coluna vertebral. O centro de gravidade da mulher desloca-se
para a frente. A curvatura lombo-sagrada acentua-se, e no sentido de manter o
equilíbrio, acentua-se também de forma compensatória a curvatura da região
cérvico- dorsal. O aumento do volume das mamas e a posição mais inclinada dos
ombros, acentuam as curvaturas dorsais e lombares. A locomoção torna-se mais
difícil e o andar bombaleante é bem patente. Ocorre um ligeiro relaxamento e
aumento de mobilidade das articulações pélvicas. Esta adaptação permite o
aumento das dimensões pélvicas. Há também uma outra série de
adaptações no corpo durante a gravidez, que não são visíveis fisicamente,
elas são ao nível do sistema gastrointestinal, endócrino, nervoso, renal,
cardiovascular e respiratório, esta ultima é mais ou menos visível com o
aumento da caixa torácica. Todas estas adaptações ao, como já se
disse, essenciais para um correcto funcionamento fisiológico da mulher, para
responder as necessidades metabólicas impostas pela gravidez e para garantir
o necessário para assegurar o crescimento e desenvolvimento do feto. A cultura do nascimento ocidental Nas culturas ocidentais, as mulheres são assistidas durante
o trabalho de parto por uma ou mais pessoas, sendo estas parentes/amigas do
sexo feminino, uma parteira ou assistente tradicional de parto, podendo ser
também assistida em meio hospitalar por um obstetra com formação médica. No Reino Unido, segundo Stacey, até ao século XVII o
trabalho de parteira era desempenhado exclusivamente por mulheres, porém a
formação destas era adquirido através da sua própria experiência de parto,
até que surgiram as primeiras parteiras. Durante a última metade do século XIX as parteiras foram
gradualmente incorporadas no sistema médico, indo contra a opinião de muitos
médicos devido à sua baixa formação, mesmo continuando sob alçada dos
obstetras com formação médica. Todavia era-lhes apenas permitido atender os
partos normais, ficando para os médicos os casos de partos difíceis. Apesar
de tudo a mulher (a grávida), família e amigas é que detinham o poder de
decisão em relação a quem faz o parto. Mais tarde, embora a maioria dos partos ocorresse no
domicílio, a classe médica foi a pouco e pouco adquirindo autoridade sobre o
processo e o manejo dos nascimentos. Uns anos depois, pela primeira vez, o
índice de partos hospitalares superou o índice de partos no domicílio, sendo
que a partir daqui em diante o controlo sobre o processo de nascimento se
tornou quase unicamente um assunto médico. Hoje em dia nos países ocidentais nomeadamente em
Portugal quando se fala de nascimento em geral fala-se em nascer numa
instituição para esse efeito. Durante o parto hospitalar, a mãe é rodeada de aparatos
de tecnologia médica: monitores fetais externos e internos, soros
intravenosos, gráficos e instrumentos. Para a mulher, «todo o campo visual
está lhe transmitindo uma grandiosa mensagem sobre as mais profundas crenças
e valores da nossa cultura: a tecnologia é suprema e você é completamente
dependente dela e das instituições e dos indivíduos que a controlam e
distribuem». Essa impressão é reforçada pelo uso frequente da episiotomia que
«transforma até o mais natural dos partos em um procedimento cirúrgico».
(cultura saúde e doença, p. 161) Por sua vez, «o bebé é retirado da mãe e entregue a um
enfermeiro que o inspecciona, testa, limpa, coloca fraldas e administra uma
injecção de vitamina K e um colério antibiótico. Depois disso, o bebé, já
tendo sido “enculturado” e “baptizado” apropriadamente no mundo da
tecnologia, é devolvido à sua mãe por um curto período de tempo, após o qual
é colocado em um berço de plástico durante quatro horas para observação,
antes de ser novamente devolvido à mãe». Sendo assim o útero da mãe
substituído pelo útero de plástico da cultura. (cultura saúde e doença, p.
161) Porém há mulheres que desejam parir em casa, são um
grupo minoritário da população feminina mas é um grupo numeroso que se
aproxima à procura de alternativas que humanizem o parto e o nascimento,
mesmo no âmbito de uma instituição. Por sua vez o parto em casa deve ser
sempre assistido por uma equipa profissional organizada para esse propósito,
que deve estar altamente comprometida com as necessidades afectivas e
emocionais dos pais e que, ao mesmo tempo entenda que o protagonismo do parto
e do nascimento é da família e não da equipa médica. A atitude dos profissionais de saúde face ao desejado
pelos casais é dar-lhes liberdade para que eles façam o que sentem
necessidade de fazer, no local que entenderem, quer em casa ou numa
instituição. Razões que levam uma mãe na escolha de ter o filho em
casa: ·
Evitar intervenções
desnecessárias; ·
Estar em casa sentindo-se
assim mais descontraída; ·
Receio ao meio hospitalar; ·
Ter a possibilidade de
estar acompanhada numa situação de afecto e respeito; ·
Experiencias anteriores; ·
Descoberta desta
alternativa através de revistas ou livros propondo melhorar a qualidade de
vida. Razões pelas quais uma mãe escolhe o internamento, são: ·
Segurança; ·
Desconhecimento de outras
alternativas; Aceitação de um sistema para o qual
é importante que o médico se sinta à vontade para desenvolver a sua tarefa. |
|
|
|
Fonte: CORREIA,
Mª e ALVES, Mª; ANÁLISE PSICOLÓGICA – PSICOLOGIA DA GRAVIDEZ E DA
MATERNIDADE; Instituto Superior de Psicologia Aplicada; Odivelas; 2000; ISBN
– 0870-8231 |